segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

#358: Reta final

Depois das merecidas férias de quase um mês, em que pude conhecer mais dois países - Portugal e Espanha -, reencontrar amigos queridos e com eles passar o Natal e o Ano Novo, de voltar à França com a melhor companheira de viagem e conhecer mais uma cidade - Lyon - , voltei a Guildford doida pra descansar e aproveitar minhas últimas semanas na Inglaterra.

Isso foi no dia 14/01. Desde então, o que menos fiz foi descansar.

Primeiro que, apesar de não ter mais aulas e de não precisar fazer provas como a maioria dos meus colegas de CsF (tem gente que tem prova até no último dia de aula do período), eu ainda tinha trabalhos pra entregar. Trabalhos que acabaram dando bastante trabalho.

O pior de todos, no sentido de mais exaustivo, foi o documentário. Tínhamos filmado tudo antes das férias e o que faltava era editar. E que árdua tarefa foi essa! Eu e minhas amigas de curso J e C sofremos por 3 dias inteiros na edição do vídeo de 11 minutos, saindo da faculdade depois das onze da noite, uma vez bem depois do último ônibus e tendo que voltar pra casa a pé, no frio. Não foi fácil. Mas todo o trabalho compensou, pelo menos é o que esperamos.

Junto com o documentário tive que entregar também um monte de documentos e uma avaliação individual de 1000 a 2000 palavras explicando como foi todo o processo, quais foram minhas funções, o que erramos, o que acertamos, etc. E o outro trabalho que ainda tinha que terminar também era uma essay de 1000 palavras sobre uma obra de arte para a outra matéria.

E isso tudo em meio ao caos de compra, arrumação de malas e a difícil tarefa de me livrar das tralhas caseiras que acumulei ao longo de um ano: panelas, pratos, copos, talheres, secador de cabelo, e mais um monte de coisa que eu nem sei como é que veio parar no meu quarto mas que uma coisa é certa: se não couber nas malas, vai ter que ficar!

No meio de tudo isso, minha prima veio me visitar, pra tirar minha cabeça desse caos todo um pouco e me ajudar a respirar, a passear. E também, verdade seja dita, pra me ajudar a arrumar as malas e a carregar com ela o que não der pra eu levar.

Desde que entrei de férias, meus sentimentos quanto a ir embora oscilaram de "não aguento mais esse país" para "quero ficar aqui pra sempre". No momento, a ideia de voltar não parece mais tão ruim, e a saudade que vou sentir daqui ainda não está me impedindo de fazer as coisas que tenho que fazer objetivamente. Posso dizer que estou bem racional e conformada com a situação, estou aceitando tudo muito bem.

Só entro em pânico quando penso nas malas.

domingo, 15 de dezembro de 2013

#315: Última semana de aulas

Ok, faz tempo que não escrevo aqui.

Eu poderia culpar a falta de tempo ou a falta de acontecimentos marcantes, mas a verdade é que deu preguiça mesmo. E acho que neste segundo semestre em Surrey eu finalmente entrei no ritmo da vida aqui, tudo começou a se encaixar, eu comecei a sentir que faço parte daqui. Então falar das minhas experiências começou a parecer banal.

Por exemplo, desde que mudei para o prédio novo, com a lavanderia ao lado, lavar roupas deixou de ser um desafio. E o frio me dá tanta vontade de comer que aprendi novas receitas como estrogonofe de camarão, macarrão com molho de tomate e sardinhas, frango à parmegiana, e incrementei alguns dos meus pratos de sempre com mais temperos - alcaparras agora são indispensáveis quando faço spaghetti ou peixe. Também aprendi novas receitas de doce, como torta de framboesa. Então posso dizer que estou comendo melhor, pelo menos no quesito sabor.

Outra coisa que melhorou com o novo prédio foi que fico menos sozinha, pois meus amigos estão a algumas portas ou a um lance de escadas de distância, então fica fácil comer junto, ver filme, ou só bater papo a qualquer hora do dia. Mas ainda tenho meus momentos de solidão, que são necessários pra eu me concentrar nos meus estudos e pra recarregar as energias que perco quando fico muito tempo perto de pessoas. Socializar muito me cansa. 

Mesmo sem ter muitos desafios para narrar, sinto que eu não poderia simplesmente abandonar o blog assim, agora que estou tão próxima do fim, sem nem tentar chegar no 365º dia. Então vou fazer um resumo dos últimos três meses e continuar de onde estou agora.

Desde setembro eu:

- Viajei para Edimburgo e me apaixonei pela cidade
- Recebi a visita da minha mãe, realizamos nosso sonho de irmos juntas para Paris e o meu sonho de ir à Disney (a EuroDisney)
- As aulas recomeçaram e eu consegui escolher só matérias legais, e pela primeira vez fazer todas as aulas junto com minhas colegas de curso J e C. As matérias são: Documentary Film Practice, Creative Writing Professional Practice, Arts and Society, Advanced Screenwriting.
- Visitei meu amigo Alexandre, um CsF da leva de setembro, em Leeds.
- Fiz uma breve visita à Oxford, tão breve que merece repeteco.
- Assisti uma peça de teatro em Londres com Rupert Grint no elenco
- Fiz o Harry Potter Studio Tour, nos estúdios da Warner Bros, onde estão em exibição grande parte dos cenários, figurinos, objetos de cena e muito mais utilizados nos filmes de Harry Potter

De volta ao presente.

Esta é minha última semana de aulas, de um período que tem sido bem mais tranquilo que o meu primeiro aqui. Talvez seja porque eu finalmente entendi como funciona o sistema de ensino daqui, ou talvez porque minhas matérias sejam mais interessantes, mas estou conseguindo levar com muito mais dedicação. 

Eu, J e C  estamos filmando um documentário sobre identidade nacional e isso é o que tem dado mais trabalho, encontrar pessoas dispostas a serem entrevistadas e com tempo para tal, mas estamos finalmente chegando na etapa final.

Na matéria de Arts and Society fiz uma análise crítica sobre uma propaganda que foi elogiada pela professora e tirei 83/100, minha maior nota em trabalhos até agora - lembrando que no sistema britânico tirar de 80 pra cima é excelente, e o comum, por mais que você se esforce, é tirar entre 60-79. Não sou gênio nem nada, acontece que o tema que estamos estudando nessa aula eu já estudei bastante na UFF - semiótica, análise de discurso. Mas ainda assim considero uma pequena vitória, pelo menos meu histórico escolar daqui vai estar condizente com as minhas notas da UFF, mesmo que as notas daqui e de lá tenham pesos bem diferentes.

Como eu disse, esta é a última semana. A partir de sexta entramos de férias e o período só retorna no dia 13 de janeiro, mas não teremos mais aulas, só trabalhos para entregar.

Minhas férias já estão planejadas a bastante tempo. Vou passar o Natal no interior de Portugal e o ano novo em Sevilha, com meus amigos Luísa, Alexandre, Bernardo e Olof, esses dois últimos que vem do Brasil especialmente para nos encontrar. Estou bastante animada e feliz de poder passar as festas com amigos tão queridos, amigos com quem socializar não me consome tanta energia. Quase uma segunda família.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

#288: O inverno está chegando

Ok, ainda estamos no meio do outono. 

Mas os dias estão gradualmente mais frios, mais nublados, mais curtos - o horário de verão acabou -, há todo um clima melancólico e gloomy no ar. 

De repente a vontade de ficar debaixo das cobertas se entupindo de chocolate e assistindo seriados parece algo insuperável e só de pensar em todas as camadas que você precisa vestir pra sair de casa você já perde o ânimo de sair. E o pior é que essas camadas nem adiantam muito porque o vento gélido atravessa seus ossos e invade suas narinas tornando impossível para qualquer um se manter saudável por duas semanas seguidas - comece a estocar lenços de papel.

E esse é só o começo; ainda vai piorar.

É difícil ser otimista em dias gelados.

Por outro lado, o outono tem se mostrado a estação do ano mais bonita de todas. Eu nunca fui muito fã de folhas amareladas, mas é difícil não se encantar com as árvores multi-coloridas - amarelas, laranjas, vermelhas, marrons, algumas ainda verdes. Os dias cinzentos ganham vida com os tapetes de folhas e as janelas parecem emoldurar pinturas naturalistas. E se por acaso fizer sol, com direito a céu azul celeste, passar o dia fora de casa é indispensável, mesmo que os raios de sol sejam tão efetivos quanto luzes frias no quesito aquecimento.

O outono me ganhou, mesmo quando me faz querer dormir o dia inteiro e acabar com todo o estoque de chocolate da minha dispensa. Mas pra quê servem os dias frios de descanso se não para fazer justamente isso?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

#217: Dia de Mudança

... E eu vivi a última semana do verão sem me dar conta de que seria a última. Que lástima.

Na quarta-feira (03/09), os estudantes do CsF apresentaram seus pôsteres sobre os estágios realizados nas férias. Foi um evento bem legal, com direito à presença da embaixadora do Brasil no Reino Unido, café da manhã e almoço no restaurante chique da universidade e apresentação de piano do único aluno de música dessa leva do CsF. Também foi um dia de despedidas, porque alguns dos veteranos (pessoal que chegou em setembro passado) já estavam de malas prontas e aquela seria a última chance de ter a turma toda reunida. Despedidas são sempre tristes, mas o que fica são as lembranças dos bons momentos - e sempre dá pra encontrar de novo no Brasil.

No mesmo dia, à noite, viajei para Amsterdam para estar novamente na companhia da Luísa, e agora também do Alexandre, outro amigo de Niterói e mais novo CsF do Reino Unido, mas numa universidade diferente. A passagem de Amsterdam foi curta, mas os últimos suspiros do verão serviram pra apagar um pouco a primeira impressão gelada da cidade.

Chegando de volta à Guildford no sábado, com Alexandre a tiracolo, constatei que o verão tinha, infelizmente, terminado de vez. O fim de semana foi só frio e chuva e nublado, e hoje não foi diferente. Hoje, o dia em que marquei pra fazer minha mudança de quarto. Mas primeiro uma explicação.

Todos os alunos de Surrey que moram em alojamentos se mudam em setembro, porque é quando o ano letivo começa oficialmente (embora as aulas só comecem um mês depois). Todo ano, quem mora em alojamento tem que mudar de quarto, flat, porque novos alunos chegam e eles precisam reacomodar todo mundo. Mas todo aluno tem direito a um ano em seu quarto. A minha leva de CsF chegou em janeiro, no meio do ano letivo deles. Nós já nos mudamos numa época diferente, em que a universidade não está exatamente acostumada a receber gente. Da mesma forma, eles não estão acostumados a deixar que ninguém permaneça em seus quartos depois de setembro. Em setembro, você estando aqui há um ano ou seis meses, tem que mudar. Sem discussão - e olha que tivemos muitas. Por fim, a universidade concordou em nos deixar escolher a data em que íamos nos mudar, dentro de um período de duas semanas, o que já é flexibilidade demais pra esses ingleses.

Outro detalhe: todos os brasileiros foram reacomodados em dois prédios, um ao lado do outro. Cada brasileiro está com pelo menos mais um conterrâneo em seu flat de sete quartos. Essa proximidade toda é boa e ruim, mas vou tentar ver só como boa. 

Acordei cedo e mesmo com a chuva fina e fria caindo lá fora, não desanimei (até porque o dia da mudança estava marcado pra hoje, não podia mais mudar). Peguei a chave do novo quarto, catei um carrinho de supermercado perdido no campus e tratei de carregá-lo com as malas e bolsas e caixas que tinha empacotado na noite seguinte. Fiz minha mudança sozinha, num total de seis viagens. Só pedi ajuda para um vizinho brasileiro (o lado bom de morarmos todos juntos) descer com minhas duas malas pesadas, mas dei conta de todo o resto. Roupas, sapatos, quinquilharias do quarto, bolsas, ventilador, livros, dvds, eletrônicos em geral, coisas de banheiro, coisas de cozinha, incluindo comidas, tudo. Foi a primeira mudança em que eu realmente participei (quando mudei de apartamento com minha mãe eu era bem mais nova e ela fez tudo sozinha). Me senti tão adulta.

O quarto novo é exatamente igual o antigo, para meu alívio: os móveis estão exatamente na mesma posição de antes, não vou ter que me habituar a uma nova disposição (I'm a freak, I know). Mas tem algumas vantagens, como interruptor ao lado da cama - não mais apagar a luz e tatear a cama no escuro ou usar a luz do poste como guia -, azulejos no banheiro, e o melhor de tudo, o novo prédio tem elevador. Minha mudança solitária, aliás, só foi possível porque eu não tive que subir com minhas tralhas de escada. Pra completar, o prédio é quase ao lado da lavanderia, o que minimiza bastante a minha preguiça de ir lavar roupa.

Neste mês, não tenho muita coisa programada pra fazer. Estou à espera da minha mãe que vem me visitar no fim de setembro; e à espera das aulas que recomeçam em 7 de outubro. Até lá, a chuva do outono e minha pequena pilha de livros deve me fazer companhia.

domingo, 1 de setembro de 2013

#209: Férias de outono

Depois de dois meses, meu estágio na Boko Creative terminou. Fiquei triste, eu estava gostando muito de trabalhar lá. Mas consegui manter boas relações com o pessoal e eles disseram que vão me manter informada dos projetos em que eu estava trabalhando, e que ainda posso opinar e ajudar à distância, o que é ótimo.

Então sexta-feira foi meu último dia de trabalho, o que significa que tenho setembro inteiro de férias - as aulas só começam em 7 de outubro. Eu ainda vou precisar fazer uma apresentação na universidade, junto com os outros alunos do CsF, sobre como foi meu estágio, o que aprendi, etc, no dia 4 de setembro. Depois disso, vou visitar minha amiga Luísa em Amsterdam por 4 dias e quando voltar, vou me mudar de flat, assim como todos os os outros brasileiros. Fomos todos realocados para dois prédios, ou seja, estaremos mais unidos do que nunca - não digo que isso é bom nem ruim. O lado bom da mudança é que tudo indica que os novos prédios tem elevador, um upgrade pra mim. O lado é ruim é que eu não estarei mais tão perto do ponto de ônibus...

O verão começa a dar sinais de que está chegando ao fim. As temperaturas começaram a baixar, embora ainda tenhamos dias de 20 e poucos graus. Mas muitas árvores já começaram a perder as folhas e os dias estão encurtando, às 20h já está ficando escuro (diferente do início do verão que
às 22h ainda tinha sol).

Estou ansiosa pra ver como é um outono de verdade, mas já estou temendo o frio que virá com ele e que só vai me deixar em fevereiro, quando eu voltar para o verão escaldante do Rio.

Mas por enquanto, vou curtindo meus últimos dias de verão.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Cruzando o Canal da Mancha, Parte II (18/08/13)

Na volta, precisei esperar um bom tempo no porto antes de embarcar. Eu tinha deixado a minha amiga no trem de 12:59 e o meu ferry só partia às 16:30. Aproveitei pra fazer um almoço na lanchonete do porto, que infelizmente não oferecia opções muito saborosas. Comi o pior cheeseburguer da minha vida (claro que os franceses não são bons nisso), mas a taça de vinho Côte du Rhone compensou - me poupem das críticas quanto ao pecado cometido de misturar fast food com vinho.

Finalmente chegou a hora do embarque, e eu estava ansiosa para saber como seriam minhas acomodações. Eu não tinha conseguido reservar a cadeira reclinável para a volta, acabei ficando com a cabine. E que cabine. Era pequena, porque era só pra duas pessoas; mas bem equipada. Tinha um sofá, que, puxando o encosto para baixo, revelava uma cama; uma segunda cama que podia ser puxada do teto; travesseiros, rádio, uma mini penteadeira (um espelho, uma mesinha e uma banqueta) e para minha surpresa, um banheiro. Com sabonete, toalha e até chuveiro. Numa viagem de apenas 5 horas. Me senti muito mimada.

O chato é que a cabine não tinha escotilha, então eu me senti bastante isolada ali. Tentei tirar um cochilo, não consegui. Li alguns capítulos do meu livro, comi metade de um dos meus camembert; por fim, encontrei uma passagem para o deck superior, e fui explorar como era o deck de um navio.

Minha primeira sensação foi: Titanic me enganou. Sabe aquelas cenas em que a Rose passeia pelo deck do Titanic, cheia de classe com cachos perfeitos e chapéu equilibrado na cabeça? Pois eu tive que me segurar muito bem nas grades e corrimãos e tentar ficar nas pontas do deck, porque o vento era tão forte que eu tinha medo que ele me derrubasse. Até tinha algumas pessoas deitadas em espreguiçadeiras lendo livros e revistas, mas o vento estava muito frio e os cabelos ficavam esvoaçando o tempo todo, não achei nada confortável, muito menos glamuroso. Mas valeu pela sensação de se estar no alto do navio, olhar para todos os lados e não ver nada além de mar e céu. Tinha uns telescópios nas laterais do deck, mas só o que consegui enxergar com eles foram outros ferries/navios muito parecidos com o meu e distantes demais pra distinguir qualquer coisa. Bem diferente de navegar pelas ilhas de Angra dos Reis ou na Baía de Guanabara.



Cheguei em Portsmouth em torno das 21h, peguei o ônibus/shuttle que passa na estação de Portsmouth Southsea (£1,50), meu trem era só às 22h, cheguei em Guildford e nem pensei em voltar pra casa à pé, encarei o táxi, já que a viagem tinha sido bem barata e tinha sobrado dinheiro. Cheguei em casa já era meia-noite, fui dormir pra acordar cedo e trabalhar no dia seguinte.

Normandie: Caen e Courseulles-sur-mer

A cidade de Caen é uma graça. Várias igrejas góticas maravilhosas; um castelo medieval, o Château Ducal, com dois museus, um de belas artes e outro de história da Normandie; ruas de paralelepípedo, carrosséis retrôs; casas charmosas; e é a cidade mais florida que eu já vi. Me apaixonei.

Château Ducal
Abbaie aux Dames




Église St. Pierre
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Hôtel de Ville e ao fundo, Abbaie aux Hommes


Estátua de Guillaume le Conquerant na pracinha
Guillaume le Conquerant, ou Guilherme o Conquistador, foi o Duque da Normandie que conquistou e reinou na Inglaterra de 1066 até 1087. Foi ele quem mandou construir a Abbaie aux Hommes, ou Abadia dos Homens, e sua esposa, Rainha Mathilde, a Abbaie aux Dames, a Abadia das Mulheres. As duas igrejas ficam mais ou menos de frente uma pra outra, em lados opostos do centro da cidade, com o castelo de Guillaume bem no meio, o Château Ducal.

As comidas típicas da Normandie são gallete, um crepe cuja massa é feita e trigo preto, e frutos do mar, especialmente mexilhões fritos com batatas fritas caseiras (fritas na manteiga e não no óleo). Eles também são famosos por biscoitinhos dos mais variados tipos e pelo queijo Camembert, que eu acabei comprando 3 numa promoção 3 por 5 numa feira de rua. E são deliciosos.

Infelizmente, a Normandie também é conhecida pelo tempo ruim. No dia em que resolvemos ir à uma praia, na vila de Courseulles-sur-mer, choveu o dia inteiro, isso porque a gente tinha checado a previsão do tempo e se assegurado que naquele dia não choveria. Mas o passeio foi bom mesmo assim. A Flora encontrou um amigo brasileiro em Caen, muito simpático, e ele nos deu uma carona de carro até a vila - além de nos dar uma caixa dos biscoitinhos normandos deliciosos.

Em algum momento da tarde o sol resolveu aparecer, e nós estávamos até de biquini, mas a praia de areia fina era tão extensa, e tinha tanta alga até chegar no mar (maré baixa), que nem deu pra molhar os pés. Mas tirei meu tênis (eu e minha mania recém-adquirida de ir à praia de tênis), enrolei a barra da calça jeans (porque estava frio pra usar short) e enterrei os pés na areia, que não saiu do pé quando espanada, de tão fina que era, só saiu no banho.

No fim do passeio, debaixo de chuva, passamos por um castelo bem atrás do ponto de ônibus que nos levaria pra Caen. Mais cedo, tínhamos perguntado no centro de informações turísticas se podíamos visitar o castelo, mas nos disseram que ele era privado. Gente que mora num castelo numa vila à beira-mar. Mas do lado de fora deu pra espiar e ver como era bonito.

Moinho atrás do castelo

Castelo do lado da rua movimentada
Nós achamos Caen uma cidade muito linda, histórica, charmosa, mas de pouca vida jovem, principalmente com os estudantes da universidade local em férias de verão. Que nada. Numa noite, andando por uma das ruas de paralelepípedo do centro, depois de termos comido crepe numa feirinha à beira de um canal, passamos por uma rua movimentada, cheia de bares, cada um mais lotado de jovens. Na noite seguinte, nossa última noite, voltamos à tal ruazinha depois de comermos um delicioso gallete, nos sentamos em um dos bares e conversamos bebendo vinho. Que noite agradável.

No dia seguinte, voltamos ao centro da cidade pra nos despedirmos, fomos no museu da história da Normandie e em seguida para a estação, onde Flora pegou sem trem para Paris. Depois da nossa despedida, me encaminhei para o terminal de ônibus, ao lado, onde peguei meu ônibus para o porto de Ouistreham para fazer o caminho de volta pra casa.